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Define o problema antes de construíres o plano

Antes de acrescentares estratégia, testa se o problema está claro o suficiente para construir um plano à volta dele.

Os planos parecem produtivos porque dão forma. Um roteiro, um documento de estratégia, um plano de contratação, um calendário de lançamento, uma especificação de produto. Estas coisas podem ser úteis. Também podem esconder confusão. Um plano construído sobre um problema vago dá à equipa algo para executar enquanto o problema real fica por tocar. Antes de aumentar o plano, melhora a conversa que cria o plano. É essa a parte que muita gente salta. O documento sabe bem porque parece movimento. Dá a todos algo para apontar. Cria tarefas, donos, prazos, e o alívio emocional de existir estrutura. Mas estrutura não é o mesmo que clareza. Se a primeira conversa for vaga, o plano herda essa vagueza. Equipas e fundadores passam depressa demais pela parte desconfortável. As pessoas acenam com a cabeça perante palavras que não significam a mesma coisa para todos.

“Precisamos de melhor posicionamento.” “Precisamos de escalar.” “Precisamos de mais consistência.” “Precisamos de um sistema.” Essas frases parecem claras. Ainda não são claras. Pergunta a cinco pessoas o que significa “melhor posicionamento” e podes receber cinco respostas diferentes. Uma pessoa quer dizer um nicho mais claro. Outra quer dizer um site novo. Outra quer dizer preços mais altos. Outra quer dizer que o fundador tem de parar de correr atrás de todos os contactos. Outra quer dizer que o produto ainda não está claro. Se a linguagem for vaga, o plano será vago com melhor formatação. A conversa melhor começa por remover o rótulo. Conseguimos explicar o problema em linguagem simples sem usar a frase que todos repetem?

Em vez de “precisamos de melhor posicionamento”, tenta: “As pessoas entendem-nos depois de uma explicação ao vivo, mas o site não deixa a proposta clara.” Em vez de “precisamos de um sistema”, tenta: “Cada trabalho depende de uma pessoa se lembrar do próximo passo.” Em vez de “precisamos de escalar”, tenta: “O fundador ainda aprova trabalho que outra pessoa devia assumir.” A linguagem simples expõe a restrição real. Também torna mais difícil esconder raciocínio fraco. Uma conversa de planeamento útil também dá nome à cedência. A maioria das decisões sérias não é apenas sobre o que queremos. É sobre o que estamos dispostos a deixar de proteger.

Mais foco significa menos opções. Melhor qualidade significa ritmo mais lento. Mais delegação significa menos controlo. Preços mais altos significam que algumas pessoas saem. Ofertas mais simples significam que alguns casos extremos não encaixam. Se o plano não der nome à cedência, a cedência aparece mais tarde como conflito. Costuma haver uma frase não dita dentro do plano demasiado elaborado. “Não confio na equipa.” “A oferta não é forte o suficiente.” “Estou aborrecido com este negócio.” “Temos medo de escolher.” “Esta parceria não está a funcionar.” A frase não dita é muitas vezes o verdadeiro ponto de partida. Não precisas de fazer drama com isso. Precisas de lhe dar espaço. Um plano que evita a frase real torna-se teatro.

Antes de construir o plano completo, escreve uma página com cinco linhas: O problema em linguagem simples. A evidência de que é real. A cedência que aceitamos. A parte que ainda não vamos resolver. Os dois próximos movimentos. Se essa página for difícil de escrever, a equipa ainda não está pronta para um plano maior. A dificuldade é informação útil. Quer dizer que a conversa precisa de mais uma ronda. Uma conversa mais clara poupa tempo porque evita certezas caras. O plano deve vir depois de o problema real ter sido dito sem rodeios.